1. SEES 12.9.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  O PESO DOS LEGADOS
3. ENTREVISTA  ELIANA CALMON  A JUSTIA DEPOIS DO MENSALO
4. LYA LUFT  PAIS NO CRUZAM OS BRAOS
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  SNDROME DOS OVRIOS POLICSTICOS

1. VEJA.COM
EDITADO POR FERDINANDO CASAGRANDE ferdinando.casagrande@abril.com.br

UNHAS, PRA QUE TE QUERO
Aquela hora semanal sagrada que as mulheres dedicam s unhas  e a falar do marido, dos filhos, da novela e de outros assuntos fundamentais  j no  a mesma. A diferena est em quem maneja o alicate e a lixa. Entre as manicures do pas, cerca de 1,5 milho, h hoje verdadeiras empreendedoras. Elas contam com cursos e congressos para se aprimorar e com uma indstria cosmtica que ampliou de maneira exponencial sua oferta de produtos para as unhas. Com trs dias de trabalho por semana, ganho mais do que alguns mdicos, diz a manicure paulistana Tnia Emiko. O site de VEJA vai visitar o maior encontro brasileiro de manicures para desvendar o cdigo de tica da profisso (sim, ele existe), conhecer lanamentos e o trabalho das modelos de unhas.

AS MUSAS FRGEIS DO POP 
Profcuo cenrio para as bad girls, o pop tambm tem espao para um grupo peculiar de garotas frgeis, que usam as crises pessoais como matria-prima para a msica, e no para um show  parte. So assim as americanas Fiona Apple e Cat Power, ambas com novos discos no mercado. Entenda o trabalho delas no site de VEJA. www.veja.com/extras

A COPA DOS VOLUNTRIOS
A Fifa acaba de ter uma boa medida do entusiasmo dos brasileiros com o Mundial de 2014 e com a Copa das Confederaes, no ano que vem. Em apenas duas semanas, mais de 100.000 pessoas se candidataram a trabalhar como voluntrias nos dois eventos, batendo um recorde mundial.  O site de VEJA mostra como  o trabalho de voluntrio num grande evento esportivo e o que uma experincia desse tipo  que no d direito sequer a hospedagem  pode trazer de bagagem aos escolhidos pela Fifa.

S A CINCIA SALVA
A tecnologia foi uma das responsveis pelo aquecimento global. E como atacar o problema? Com mais tecnologia.  o que diz o engenheiro chins Sidney Yip, professor emrito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em entrevista ao site de VEJA, Yip afirma que a energia nuclear  a chave para derrubar as emisses de carbono  e sugere que os conservacionistas jamais salvaro o planeta.


2. CARTA AO LEITOR  O PESO DOS LEGADOS
     Uma reportagem desta edio de VEJA lana, para alm das percepes polticas e partidrias imediatas, a questo da herana que os presidentes da Repblica deixam para seu sucessor. A reportagem foi motivada pela reao da presidente Dilma Rousseff a um artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acusava Lula de ter deixado para a sucessora uma herana pesada como chumbo. Dilma reagiu em nota oficial: Recebi do ex-presidente Lula uma herana bendita. No recebi um pas sob interveno do FMI ou sob a ameaa de apago. As declaraes de FHC e Dilma so perfeitamente previsveis e aceitveis s vsperas de uma eleio. Cada um que defenda a imagem do seu grupo poltico e ataque a do adversrio.
     A imagem poltica  um jogo de soma zero. Tudo o que meu adversrio fez e foi percebido como positivo  negativo para mim  e vice-versa. Quando, porm, se tenta enxergar com mais clareza qual o legado objetivo de um presidente a seu sucessor no do ponto de vista poltico, mas do pas real, a figura que surge  de maior complexidade, mais rica em detalhes e surpreendente. A comear pelo fato de que, embora se tenha convencionado que eles levem toda a culpa dos fracassos e fiquem com o mrito dos sucessos, os presidentes so tolhidos pelas circunstncias polticas e pela conjuntura externa. Seu poder de conduzir o pas a um lindo porvir ou de lev-lo  bancarrota no  ilimitado.
     A reportagem mostra que, desde o ps-guerra, o Brasil vem melhorando gradativamente em todos os indicadores de qualidade de vida da populao  do nmero de residncias com gua encanada e esgoto ao nmero de artigos cientficos publicados por pesquisadores brasileiros: da quilometragem de estradas asfaltadas ao aumento da expectativa de vida. Se o pas avana independentemente da pessoa ou do partido no poder, tem alguma importncia avaliar se um presidente foi melhor ou se um governo foi mais eficiente do que outro? Ou, como  o caso agora, como definir com justia se um presidente deixou para o seguinte um pas arrumado ou uma bomba de efeito retardado? A reportagem de VEJA responde a essas perguntas.
     O Brasil teve presidentes melhores e piores. Teve governos ruinosos, regulares e uns poucos muito bons. Alguns presidentes passaram a seu sucessor no apenas a faixa verde-amarela, mas o mapa do bom caminho. Outros passaram a faixa como o carrasco que enlaa o pescoo de um condenado. A reportagem aponta heranas malditas deixadas por grandes realizadores  caso da inflao produzida por Juscelino Kubitsehek e seu plano de fazer 50 anos em 5  e heranas benignas de autoria de bucaneiros  a abertura da economia de Fernando Collor. Como triste sina, constata a reportagem que, bons e maus, todos os presidentes do Brasil no perodo estudado entregaram a seu sucessor uma carga fiscal maior e gastos pblicos em proporo do PIB irresponsavelmente mais alentados. O grande virtuoso ser o presidente da Repblica do Brasil que, diminuindo a carga de impostos, cortando gastos e no comando de um governo capaz de gerir com honestidade e eficincia a administrao pblica, libere as foras produtivas do pas para que atinjam todo o seu potencial. Com poderes independentes, um Congresso comprometido com a prxima gerao, e no com a prxima eleio, e eleitores conscientes, esse dia poder chegar mais depressa do que pensamos.


3. ENTREVISTA  ELIANA CALMON  A JUSTIA DEPOIS DO MENSALO
A ministra deixa a Corregedoria do Conselho Nacional de Justia certa de que a condenao dos mensaleiros vai levar  tolerncia zero com a corrupo nos tribunais brasileiros.
RODRIGO RANGEL

Eliana Calmon  capaz de ficar horas e horas falando sobre culinria. Sua especialidade mais admirada, porm,  outra. H dois anos, ela assumiu o cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justia (CNJ) prometendo combater com rigor os desmandos dos juzes. No era promessa de poltico. Antes disso, j tinha se envolvido em sonoras brigas no Superior Tribunal de Justia (STJ) ao denunciar que alguns de seus colegas faziam conchavos para interferir na escolha dos novos integrantes da corte e, assim, influir em suas futuras decises. No CNJ, a ministra apontou a existncia de bandidos escondidos atrs de togas, generalizao que atraiu sobre ela a ira da categoria. Sob seu comando foi aberto um nmero recorde de processos para apurar a conduta irregular de juzes. Na semana passada, antes de deixar o cargo de corregedora e voltar ao STJ, a ministra fez a VEJA um balano de sua gesto.

O julgamento do mensalo ter algum impacto sobre a Justia brasileira como um todo? 
Esse  um julgamento de importncia fundamental para o Brasil, porque toda a nao est examinando como se comportar o Poder Judicirio. O Judicirio tambm est sendo julgado. Esse julgamento vai refletir o que  a Justia brasileira. Os ministros podem condenar ou absolver, mas tero de mostrar com clareza por que esto condenando ou absolvendo. Isso est sendo feito.

O rigor que os ministros do Supremo tm demonstrado com relao  corrupo reflete uma mudana de parmetros?
O Supremo faz com que a magistratura se enquadre num novo modelo. Toda carreira  e a magistratura em especial  vive de lio e exemplo. Temos de ser exemplo para as pessoas que esto abaixo de ns. No momento em que o Supremo ensina a lio e d exemplo, vira referencial. O juiz de comarca passa a ter referncia, admirao, e passa a trabalhar para se igualar queles que ele admira no topo da hierarquia. Quando o Supremo faz um julgamento tcnico, srio e at rpido, com votos compreensivos, como tem sido neste caso, isso transmite credibilidade ao povo brasileiro. O Supremo est dizendo que a corrupo, que durante dois sculos reinou neste pas, a partir de agora tem um freio, e esse freio est no Poder Judicirio. No haver mais tolerncia com a corrupo. No tenho dvida de que isso j est provocando mudanas nos planos de certos bandidos, inclusive os de toga.

Por que essa atitude mais proativa em defesa do bem pblico demorou tanto a chegar ao Poder Judicirio? 
A Justia no se apercebeu das mudanas que a Constituio trouxe. Na medida em que o Judicirio no tem conscincia de seu papel, vira o chancelador do que os outros poderes decidem. O Judicirio demorou a perceber que tem poder prprio e no deve funcionar como extenso dos outros poderes.

A senhora deixa o Conselho Nacional de Justia mais assustada ou mais aliviada? 
Conheci as entranhas do Poder Judicirio e pensei que a situao estivesse melhor. Na Corregedoria, eu vi a Justia em uma situao muito negativa. A gesto, por exemplo, ainda  muito ruim. Mas saio aliviada porque me aproximei muito dos tribunais, que perceberam que com boa gesto  possvel melhorar. No digo que fiz um saneamento, mas fiz parceria com os presidentes dos tribunais. So Paulo  um exemplo que me deixa maravilhada. Era um tribunal fechado, que nunca aceitou o CNJ, mas no fim conseguimos avanar.  preciso eliminar de vez o patrimonialismo e o compadrio. Alguns tribunais at hoje fazem favores ao governador, e o governador arruma emprego para parentes de juzes.

A senhora gerou uma crise sem precedentes no Judicirio quando disse que h bandidos escondidos atrs de togas. Eles existem mesmo? 
 claro que h bandidos de toga.  s olhar o nmero de juzes afastados por improbidade, olhar o nmero de investigaes instauradas nos ltimos tempos. Os nmeros so grandes. Olhe que a Corregedoria do CNJ tem uma estrutura pequena para tantos problemas, e no temos condies de descobrir tudo. Aquilo que eu falei, e no foi generalizando, falei numa linguagem forte para mostrar que muitas vezes as pessoas querem se esconder atrs da toga porque buscam a proteo que o cargo d. Na verdade, eu acabei sendo intrprete da conscincia coletiva.

Qual foi a parte mais difcil do trabalho da senhora como corregedora? 
A funo disciplinar  difcil porque h uma grande resistncia por parte das associaes de juzes. O corporativismo  forte. Ainda pensam que, se acharmos corrupo, temos de resolver a questo internamente, sem lev-la ao conhecimento da sociedade. Eu penso diferente. Ns temos, sim, de levar as mazelas do Judicirio ao conhecimento da sociedade. Uma das punies  justamente essa. At porque a legislao que trata de punies a juzes  muito antiga. Por ela, a punio mxima para um desembargador  a aposentadoria. Se no for uma falta gravssima, ele ficar sem punio. Da eu acho que uma das penas mais temidas  a divulgao daquilo que for constatado.

Qual  o perfil desses bandidos de toga a que a senhora se refere? 
Obviamente no estou afirmando que todos os juzes que dizem s falar nos autos so bandidos, mas o criminoso de toga tende a ser um juiz hermtico, formalista, que fala pouco e no recebe as partes. Mas ele est apenas se escondendo atrs do formalismo. Essa atitude o beneficia. O objetivo dele  fazer da Justia um balco de negcios. Ele sabe quais processos podem render dinheiro. Existem alguns nichos preferenciais, como os processos por dano moral.

Por qu? 
Porque o dano moral no  mensurvel pela lei. Os bancos tambm so vtimas frequentes. Os juzes do decises, impem multas estratosfricas e mandam depositar o dinheiro imediatamente. Muitas vezes o juiz se associa ao advogado e divide os lucros.  claro que, em um universo de 16.000 juzes, nem 2% fazem isso, mas o estrago para a carreira  muito grande. Essa  a pior face da magistratura.

A senhora fala muito da intimidade indecente entre o Judicirio e a poltica. Por que ela teima em existir? 
Isso vem de dois sculos. O Judicirio sempre foi converte com os outros poderes, sempre foi um chancelador do que os outros poderes decidiam. At hoje h juzes que comungam da ideia de que  preciso ser amigo do rei.

O modelo de nomeao de juzes de tribunais superiores, que so escolhidos politicamente por deciso do presidente da Repblica, contribui para essa relao?
Esse  o caminho. Em todos os pases, quem escolhe os ministros da Suprema Corte  o presidente da Repblica. Pensei muito nisso, inclusive quando passei por esse processo para chegar ao STJ.  doloroso para um juiz de carreira enfrentar um processo to poltico. Voc aprende que um magistrado deve ficar afastado da poltica, no deve se imiscuir na poltica, mas na hora H tem de passar a cuja entre os polticos pedindo o favor da indicao.

Existe uma maneira de quebrar essa situao de dependncia do Judicirio em relao aos polticos? 
Do ponto de vista formal, o processo de escolha de ministros de tribunais superiores  perfeito. O indicado  escolhido pelo presidente da Repblica e submetido ao Senado, que o sabatina para ver se tem notvel saber jurdico. Tudo isso  pblico e as pessoas podem avaliar se o indicado tem os requisitos necessrios para o cargo. Tudo perfeito. Mas s na teoria. Na prtica  diferente. Falta responsabilidade. Dentro do Judicirio, no qual se diz que no existe poltica, h a poltica mida dos grupelhos que se acertam para escolher quem vai compor as listas de indicados. O Executivo escolhe de acordo com os apoios polticos, ou seja, os padrinhos. Por sua vez, o Legislativo, que deveria analisar o saber jurdico e a reputao ilibada do indicado, no faz o que deve. Antes da sabatina, o indicado visita os gabinetes dos senadores para amortecer intervenes que no sejam do seu agrado. A sabatina vira apenas uma formalidade.

A senhora tambm teve padrinhos? 
Lgico. Todo mundo busca apoio, s que ningum diz. Eu tive como padrinhos os senadores Antonio Carlos Magalhes, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Edison Lobo. Amigos me levaram at eles, e eles se tomaram meus padrinhos.

Esse apadrinhamento no  cobrado depois, na forma de algum favor? 
Imagino que sim. A mim nunca fizeram pedido, porque quando cheguei l coloquei tudo s claras, incluindo os nomes de quem me indicou. Quem vai pedir alguma coisa a uma lngua ferina como esta minha? Ns precisamos  de seriedade institucional. Na hora de escolher algum para um cargo relevante, no se pode pensar em colocar o amigo, algum que v fazer favor. Tem de ser o melhor possvel, para fazer justia, para ser um bom ministro.

A senhora foi acusada de abuso nas investigaes de juzes, especialmente quando comeou a apurar suspeitas de enriquecimento ilcito. A reao foi exagerada? 
Eu tratei as questes do Judicirio de forma muito incisiva e crua, e isso chocou um pouco. E um poder muito fechado e corporativista, que se sentiu agredido. Mas eu falei o que tinha de falar, e fiz isso para chocar mesmo, porque, se no chocasse, no causaria o efeito que causei. Eu estava disposta a mudar, e ningum muda comodamente. A gente s muda quando choca.

A senhora prev alguma hostilidade na sua volta ao Superior Tribunal de Justia, no qual comprou brigas? 
Uma dessas brigas foi criticar a atuao de filhos de ministros como advogados na corte. Esse problema resiste no STJ. Antigamente os filhos de ministros viviam como funcionrios pblicos. Quando ns combatemos o nepotismo e achamos que tnhamos realizado urna grande coisa, combatemos um problema e o outro ficou. No se pode impedir que filhos de ministros advoguem. O grande problema  o fato de eles usarem seu nome para fazer cooptao de clientela. Eles dizem ao cliente que tm influncia no tribunal porque so filhos de ministros. No meu gabinete, eles no tm vez nem para marcar audincia. Nem filho de ministro nem ministro aposentado atuando, que  outra coisa imprpria mas existe. O ministro se aposenta e vai fazer lobby no tribunal. Ns precisamos acabar com essa prtica, no dando chance de aproximao.

Por que essa prtica resiste, apesar de ser imprpria? 
Muitas vezes esses filhos de ministros no tm nem procurao nos autos. Eles no fazem sustentao oral, no fazem nada, s acompanham outros advogados para facilitar o acesso. Entram apenas para dar a impresso ao cliente de que realmente tm chance de ganhar, no por ter o direito, mas por influncia. Em alguns gabinetes, dizem que isso funciona. Vende-se a ideia de que filho de ministro faz milagres. Faz milagres porque  mais inteligente? No,  porque, se no der jeito, vai fazer safadeza. E a advocacia de lobby, que no se sustenta pelas razes jurdicas, mas pelas razes extrajurdicas, de amizade, de afeto, de relacionamentos.

Qual  a consequncia mais visvel desse tipo de situao? 
Em primeiro lugar, isso desacredita a Justia. Alm do mais,  uma absoluta injustia para com os advogados que so srios, trabalhadores e vo  tribuna defender o direito. A advocacia de lobby causa um mal enorme e precisa ser banida,  um horror.  obrigatrio acabar com isso. Cabe aos prprios ministros coibir essa prtica. Isso s depende de ns. Basta perguntar ao advogado que chega ao gabinete se ele tem procurao nos autos. Se no tem, o ministro tem de dizer: O senhor ponha-se daqui para fora.

Sua visibilidade fez surgir rumores de que poderia sair candidata a algum cargo poltico. Isso est nos seus planos? 
J me convidaram para ser candidata a senadora pelo Distrito Federal, mas no vou me meter em poltica de maneira nenhuma. Tambm no vou advogar. De dinheiro eu no vou precisar, porque tenho uma vida modesta e a minha aposentadoria certamente ser suficiente. Penso em mais tarde, quem sabe, participar de uma entidade de combate  corrupo ou me dedicar aos livros de culinria.


4. LYA LUFT  PAIS NO CRUZAM OS BRAOS
     No costumo escrever sobre pessoas especficas nem eventos ou organizaes. No costumo atender a sugestes de assunto, ou no sobrariam espao, tempo, fora vital para abordar meus prprios assuntos. Porm, hoje, vou falar sobre dois pais, duas reaes a tragdias pessoais, que nos servem a todos de uma forma ou outra. Primeiro, o livro de Diogo Mainardi, meu ex-colega desta revista por muitos anos. No o conhecia pessoalmente. Eu o achava uma espcie de enfant gt e terrible, genial, brilhante, s vezes um pouco malcriado, corajoso, polmico. As pessoas o amavam ou detestavam. Ento apareceu seu artigo Meu pequeno blgaro, que me atingiu, e a muitos, como um raio: ali estava um momento extremamente pessoal, uma revelao ntima escrita de maneira singular. Zero sentimentalismo, mas tudo de pungncia. Srio, grave, fatal, sem autopiedade nem lamentao, apenas nas a estranheza diante do fato: o filhinho que por erro mdico nasceu com paralisia cerebral. A perplexidade. O no entender. Como no entenderia o idioma blgaro.
     Tempos depois nos conhecemos pessoalmente, e lembro de ter comentado, talvez sem muito tato, o artigo, o choque que me havia causado, a admirao e afeto que tinha despertado em mim. Acho que naquele instante sem muitas palavras ficamos amigos, desse jeito de ser amigo de pessoas que quase nunca se encontram, mas sabem que pertencem a uma mesma raa, ainda que no as ligue nenhum fato comum. Mas, de alguma forma, a gente sabe o outro.
     Agora sai o livro de Mainardi, A Queda, no qual ele fala das experincias de ter um filho diferente e por outro lado to igual, porque objeto de amor, fonte de alegria e preocupaes como todo filho  este, especialmente por sua condio, , antes de tudo, uma pessoa. Talvez esse seja o legado que Mainardi nos d falando de Tito (depois dele nasceu outro menino, forte e saudvel): ali no est em primeiro lugar um deficiente, um problema, um drama, est um menino. Um filho. Uma pessoa.
     No sei explicar bem, eu que sou mulher das palavras, meu territrio e minha paixo, os sentimentos que o livro desperta: estranheza talvez, pelo estilo seco, circular da trama, recheado de aluses  cultura e  arte da cidade de Veneza, onde Tito nasceu e a famlia voltou a morar, depois de vrios anos de Brasil. Outro destacado sentimento em mim  de pungncia, respeito, fraternidade, afeto e, estranhamente, alegria de que neste mundo, em que tanto nos lamentamos por futilidades, essa famlia, pai, me, irmozinho e o prprio Tito, apenas viva a cada dia a vida que lhe  dada. O amor de que eles so capazes. E  muito amor. O livro, as pessoas envolvidas, essa realidade que fere como uma faca enfiada sem anestesia, mas enobrece a todos ns, medocres e fteis e alienados, com sua objetividade por vezes assustadora, revelam porm o lado mais humano desse pai, que relata umas poucas vezes, sem adjetivos nem sentimentalismos, chorei por duas horas.
     O livro de Mainardi  e eu lhe escrevi isso  me deu vontade de chorar pelo resto da vida, e me deu tambm nimo de seguir em frente, ainda com mais fortaleza, tentando ser mais humana, mais digna, mais aberta  alegria possvel  como essa linda criana que em todas as fotos do livro aparece sorrindo neste mundo de caras amuadas e autocompaixo multiplicada. Viva Tito.
     Vivam tantos pais que diante de uma tragdia pessoal lutam, como um conhecido meu que, tendo perdido seu nico filho num assalto no qual um facnora lhe arrebentou o corao com um tiro absurdo, criou uma ONG  Brasil sem Grades e lanou a campanha Chega de Braos Cruzados, convocando todos os que desejam de verdade, acima dos muros de lamentao, que se faa justia neste pas to omisso. Que diminua a impunidade. Que leis claras, severas, sejam cumpridas. Que se revise a legislao penal, no se protejam os bandidos enquanto as famlias das vtimas sofrem duplamente, pela perda e pela inexistncia ou lentido ou brandura da nossa Justia.


5. LEITOR
JULGAMENTO DO MENSALO
Tenho 56 anos e j convivi com grandes dificuldades do nosso Brasil. Quando surgiu o escndalo do mensalo, passei a guardar em minha biblioteca os exemplares de VEJA, com o intuito de mostrar aos meus netos  que logo vo chegar  a vergonha que aconteceu no Brasil. Quando cheguei  banca de revistas e vi a capa da edio 2285 com a chamada At que enfim (5 de setembro), tive uma das maiores alegrias da minha vida. Cuidarei com muito carinho dos meus documentos histricos. Muito obrigado pela reportagem O mensalo na cadeia (5 de setembro). Ns podemos, sim, consertar este pas!
OBREGON DE ASSIS FURTADO
Campinas, SP

As primeiras condenaes de mensaleiros muito honram os ministros do STF, que no se submetem aos mandatrios de planto. Que um admirvel mundo novo se descortine nos horizontes do Brasil.
HUMBERTO MILHOMEM DA MOTA
Goinia, GO

No me belisque, no me acorde, por favor... Eu estou mesmo vendo tudo isso? Eles foram punidos?
PASCOAL PINHEIRO CORREIA
Teresina, PI

At que enfim se comea a fazer justia com os corruptos de alto escalo. Mas  indispensvel a punio severa, para todos.
SUELI BITTENCOURT
Florianpolis, SC

At que enfim temos a sensao de estarmos do lado correto das grades.
JOS LUIZ DE CAVALHO
Arax, MG

O STF est fazendo justia e lavando a alma do povo deste pas, que sustenta as instituies governamentais com pesados tributos. O Supremo sinalizou que a corrupo ser rechaada.
REMILTO MATOS
Uberlndia, MG

Enfim podemos dizer que no Brasil a cadeia no  apenas para pobres.
ANTNIO CARLOS DUPRAT BARROS
Recife, PE

A sociedade brasileira espera com as condenaes a proteo de nosso patrimnio pblico.
ANTONIO DE SOUZA DAGRELLA
So Paulo, SP

Tenho pena daqueles ministros que, contra todas as provas, absolveram criminosos apenas para no desagradar a seus padrinhos.
DELMAR PHILIPPSEN
So Leopoldo, RS

E agora. Lula? Vai afirmar que o julgamento no existiu? E que as condenaes tambm no aconteceram? Ou que no sabe de nada?
PAULO CESAR SANTOS
Curitiba, PR

A ptria  o lugar onde moramos e tentamos viver sem assaltos ao dinheiro que pertence ao povo.
ARTUR OSCAR PORTELA
Matelndia, PR

Comeou a dar orgulho novamente ser brasileiro. Cadeia neles!
ANTONIO GUSMO
Sertozinho, SP

CARTA AO LEITOR
A Carta ao Leitor Um norte tico (5 de setembro) mostra a grandeza de VEJA. Esta revista foi no s a bssola como tambm o pulso, a coragem e a competncia no trabalho para que o mensalo fosse julgado  recebeu, com isso, insultos e agravos. Mas a histria deve ser escrita com a verdade. Valeu a pena, VEJA. O Brasil agradece.
ANCHIETA MENDES
Teresina, PI

Que o mensalo seja o primeiro, e no o nico, processo a condenar corruptos poderosos que se escondem sob o manto de mandatos eleitorais.
SRGIO LENDER 
Porto Alegre, RS

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
Lcida, oportuna e irrefutvel a abordagem feita por Roberto Pompeu de Toledo a respeito da aposentadoria compulsria no servio pblico (Efeito guilhotina, 5 de setembro). A existncia dessa lei defasada, tendo em vista o aumento da expectativa de vida do brasileiro,  que faz com que percamos um ministro como Cezar Peluso; em pleno apogeu de sua capacidade intelectual. Um desperdcio de intelecto em um pas carente de crebros.
PAULO MOLINA PRATES
Braslia, DF

O corporativismo afunda o pas e prejudica a produtividade ao aposentar um ministro do STF aos 70 anos de idade, em plena lucidez.
JOS GOMES DA SILVA 
Monteiro, PB

TORNOZELEIRA ELETRNICA
Com a reportagem S no sapatinho (5 de setembro), fiquei pensando: dadas a gravidade dos acontecimentos e a perspectiva de priso de envolvidos no mensalo, no seria o caso de o STF se precaver e ordenar  Polcia Federal que tambm obrigue todos os rus do mensalo a usar a tornozeleira?
MARCELO DE MORAIS RIBEIRO
Rio de Janeiro, RJ

ELEIES 2012
Ao passo que o STF abre uma perspectiva de primavera poltica, ao dar um primeiro e gigantesco passo no caminho da extino da praga da corrupo, o espectro eleitoral de So Paulo gera expectativa de um tenebroso fim de inverno, com as atuais pesquisas indicando no topo da preferncia do eleitorado o candidato Celso Russomanno (PRB), um preposto de Edir Macedo (Ficou Russo, 5 de setembro). Opo negativa e rejeio aos demais. Sentimentos antpodas dominam os paulistanos conscientes.
AMADEU ROBERTO GARRIDO DE PAULA
So Paulo, SP

Enquanto perdurar a omisso, a passividade e a ojeriza dos eleitores sensatos, a seara dos polticos evasivos e demagogos ser frtil e profcua.
LUIS SANTOS 
Curitiba, PR

J.R. GUZZO
No artigo As cinco letras que mudam tudo (5 de setembro) eu destacaria as palavras que mudam tudo: amar a cidade e ter ideias que possam melhorar a vida das pessoas. Infelizmente o Brasil e os polticos que se candidatam a cargos eletivos esto longe disso.
MRCIA ROLZENBRUCH
Belo Horizonte, MG

H mais de trinta anos fiz estgio em Paris sobre circulao e transportes em zonas urbanas e suburbanas. J naquele tempo se privilegiava o transporte coletivo em detrimento do transporte individual. Estamos atrasados, pelo menos, trinta anos em relao s grandes cidades mais bem-sucedidas do mundo citadas pelo articulista.
DANIEL PORTELLA
Por e-mail

Apenas como ressalva, gostaria de lembrar que desestimular e dificultar o meio de transporte particular nos grandes centros somente tem sentido quando existe a alternativa de um transporte pblico decente e eficiente, o que infelizmente no ocorre na maioria das grandes cidades brasileiras.
GASTON ROGRIO SPINA SCHWEIZER
Santana de Parnaba, SP

Gosto dos artigos de J.R. Guzzo, mas comparar geladeira com automvel no faz sentido. Geladeira  para ficar parada, dentro de casa. Ningum compra um automvel para ficar guardado dentro de casa. Automvel  para rodar nas ruas e estradas e, obviamente, estacionar no seu local de destino. Se no  problema do poder pblico providenciar espao para estacionamento, ento tambm no deveria ser problema do poder pblico abrir ruas e estradas. Se incentiva a fabricao e a venda de automveis com iseno de impostos e investe pesado na construo e melhoramento de ruas e estradas, o governo deveria, sim, tambm garantir espao para estacionamento proporcional  frota circulante. Roubar espao de circulao de veculos e pedestres no  mesmo a soluo ideal, mas que tal o poder pblico incentivar a construo de edifcios-garagem e exigir que imveis residenciais e comerciais tenham espao suficiente para o estacionamento dos carros dos moradores e dos seus visitantes? Esperar que todo mundo ande de bicicleta ou use transporte pblico  uma utopia. Basta perguntar a qualquer cidado brasileiro qual  seu maior sonho de consumo. Em primeiro lugar, certamente vira a casa prpria. Em segundo lugar, tenho certeza de que ser a compra de um automvel  para circular e estacionar em algum lugar.
HENRIQUE OSWALDO PIMENTEL
Rio de Janeiro, RJ

GREVE DE SERVIDORES PBLICOS
A lucidez com que os jornalistas de VEJA Julia Carvalho e Otvio Cabral abordaram a questo da greve dos servidores pblicos, na reportagem A grande muralha da incerteza (5 de setembro), no deixa margem a dvidas sobre o que pode ser feito para que o direito de greve de uns no continue representando prejuzo a toda a sociedade. Parabns aos reprteres pela objetividade e pela clareza no tratamento de um assunto complexo e urgente. Gostaria de lembrar que tambm abordei essa questo no artigo As greves no servio pblico, publicado no caderno Mercado da edio de sbado (1 de setembro de 2012) do jornal Folha de S.Paulo.
KTIA ABREU
Senadora (PSD-TO)
Braslia, DF

Fico em dvida sobre quem tem mais culpa: os servidores pblicos em greve, o Legislativo, por uma inrcia de quase 25 anos, ou o Executivo, que no assegura a reviso anual da remunerao dos servidores conforme determina a Constituio?
FBIO JOS DANTAS
Braslia, DF

Nunca antes neste pas... a administrao pblica federal direta e indireta havia experimentado uma onda de greves que estourasse no servio pblico envolvendo diversas categorias e trazendo graves e imensurveis prejuzos  nao. O movimento encontra respaldo no artigo 37, inciso VII, do Texto Constitucional de 1988, que assegura aos servidores pblicos o direito de greve, nos termos definidos em lei especfica. Lei essa que, diante da longa omisso do Legislativo, no foi editada at hoje definindo os contornos jurdicos e legais da greve no servio pblico, chegando-se a uma situao crtica que somente o dilogo e o bom-senso podem resolver, independentemente da natureza das reivindicaes. Essa  a situao atual, uma vez que a matria no foi discutida e votada em tempo oportuno e ambiente adequado  o Congresso Nacional.
RITA DE CSSIA MARTINS ANDRADE
Juza de direito 
Joo Pessoa, PB

Desde a redemocratizao o Brasil no via um presidente da Repblica pulso forte como Dilma Rousseff. Alis, ns homens temos de dar o brao a torcer. Parabns, presidente Dilma.
ROLANDO KO FREITAG
Blumenau, SC

O que sustentou a greve dos funcionrios pblicos federais foi a enrolao e o autoritarismo do governo, querendo fazer letra morta do direito de greve. O Poder Legislativo tem de fazer o que se espera dele h 24 anos, antes de qualquer coisa, e obrigar o Poder Executivo a cumprir o artigo 37 da Constituio Federal, que assegura aos servidores pblicos a reviso geral anual da remunerao sempre na mesma data. Espera-se que o governo seja o primeiro a cumprir as leis do pas.
EDSON RIBEIRO 
Belo Horizonte, MG

No haveria tantas greves se o governo respeitasse a Constituio Federal, que assegura reviso anual do salrio dos servidores. Falo de reposio inflacionria, apenas. Que venha uma lei de greve rigorosa, que, alm de prever punio para abusos dos servidores pblicos em greve, preveja tambm punio para o administrador, por crime de improbidade administrativa, caso desrespeite a reposio salarial anual. Toda a sociedade brasileira agradeceria.
MRIO DUTRA
Piracicaba, SP

FAMLIA BECKER ARMADA
A reportagem Coisas que do tiros (Imagem da Semana, 5 de setembro), sobre a foto da famlia Becker com o seu armamento, desmistifica alguns clichs sobre as armas. Interessante observar a comparao entre os ndices de homicdios no Brasil e no Kansas, estado americano onde vive a famlia.
YURI DAGLIAN
So Paulo, SP

O excelente texto da jornalista Vilma Gryzinski quebra esteretipos relacionados  posse de armas de fogo. Parabns!
HILTON LUS FERRAZ DA SILVEIRA
Recife, PE

O estatuto do enfraquecimento  sim, pois o desarmamento das pessoas de bem representa o enfraquecimento da populao brasileira  torna o estado cada vez mais poderoso.
JAIRO SANTOS DA COSTA
Jundia, SP

HIROFUMI IKESAKI
Sou neta do primeiro imigrante japons da minha cidade. Sei quanto meu falecido av, Moriji Umezu, sofreu ao deixar sua terra, sua famlia e sua vida para trs para recomear do zero em um pas totalmente desconhecido. Aplaudo de p no somente o exemplo e o empreendedorismo do senhor Hirofumi Ikesaki (O senhor das sombras, Perfil, 5 de setembro), mas tambm os dos milhares de imigrantes japoneses que trouxeram para o Brasil mais cultura e desenvolvimento.
PATRICIA UMEZU LAZZAROTTO
Caxias do Sul, RS

TERCEIRO FILHO
Quando completei um casal de filhos e no parei, ouvi muitos palpites. Hoje, os trs esto casados e j tenho trs netos. Se todo mundo pensasse como os ginks (verdes, sem crianas), daqui a algum tempo o planeta estaria salvo  sem habitantes (Querido, vamos ter mais um?, 5 de setembro).
MARCIA VERONESI
Nipo, SP

Sou servidora pblica, casada e me de trs filhos. Muito vlidas as razes expostas pela reportagem a respeito dos motivos de aumentar a famlia. O meu foi muito simples: no querer que meu filho fosse nico, como eu. O excesso de responsabilidades para com os pais no futuro, a falta de diviso dessas mesmas responsabilidades, a ausncia de um companheiro 24 horas por dia para brincadeiras, a chegada sozinho a uma festa infantil, a falta de um confidente amigo quando todos os outros esto distantes so algumas das razes para que os pais pensem em dar um irmo ao seu filho. Os mesmos pais que optam por ter apenas um filho no gostariam de ser filhos nicos. Ento, por que fazer isso com os prprios filhos? Se no h impedimentos econmicos, biolgicos ou fsicos, a nica razo que vejo para ter um filho s  o egosmo.
EUNICE ANDRADE ARAJO SOUZA
So Paulo, SP

AUTOMUTILAO DE ADOLESCENTES
A automutilao  um grito silencioso de socorro. Infelizmente, feridas da alma precisam estar  flor da pele para que sejam adequadamente escutadas (Na prpria carne, 5 de setembro).
MRCIO CANDIANI
Bela Horizonte, MG

DOUGLAS FARAH
A entrevista com o consultor de segurana americano Douglas Farah (O perigo dos narcovizinhos, 5 de setembro) mostra quanto a sociedade brasileira est exposta. O trfico de drogas na Amrica Latina j tem direta e indiretamente o apoio de governos bolivarianos; e boa parte da lavagem dessa droga  feita no Brasil.
WEYDMAN VITRIO DE SOUSA
So Lus, MA

Dilma, voc tambm vai se mostrar simptica a esses companheiros narcovizinhos?
IVAN ESA DOS SANTOS
Volta Redonda, RJ

MALSON DA NBREGA
Muito coerente e realista o artigo Alarmismo ambiental e consumo (5 de setembro), do economista Malson da Nbrega. No devemos desprezar as mudanas climticas em razo do desenvolvimento da humanidade e tambm acredito que no somos os responsveis maiores pelas alteraes no planeta, pois elas sempre ocorreram sem o dedo do homem  e essas sim so poderosas. A renncia ao desenvolvimento interessa a naes que esto perdendo o status de lderes mundiais.
GILBERTO DORNELES
Porto Alegre, RS

PARALIMPADA DE LONDRES
A reportagem Iguais at nos pecados (5 de setembro) demonstra um lado pouco explorado da Paralimpada, como a violncia e as farsas eventuais no competitivo meio desportista. O texto do jornalista Alexandre Salvador consegue apresentar a coragem e o brio dos atletas com o lado mais sombrio e cruel das disputas humanas.
GUSTAVO BERNARD
Braslia, DF

JOGOS COM INFORMAO CULTURAL
Sou jornalista, mestre em tecnologias de comunicao e analista de games e fico feliz em ver o universo dos jogos eletrnicos sendo levado ao pblico de uma maneira que vai alm da brincadeira e do divertimento infantil. O interesse pelo assunto cresce popular e academicamente no Brasil, demonstrando que o videogame tambm pode auxiliar a cultura, a economia e a comunicao. A reportagem Pancadas com contedo (5 de setembro) abordou ainda aspectos de um artigo acadmico apresentado por mim em um congresso de comunicao, inclusive na citao dos games! A cada dia vemos a sociedade mais ligada aos jogos, a sua esttica e formas de jogar.
VINCIUS MELLO
Niteri, RJ

CORREO: o crdito da foto da atriz Dbora Nascimento, publicada na seo Gente (5 de setembro),  Al de Souza e Felipe Lessa/BOA FORMA.

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
TIRIRICA
O deputado Jos Rocha (PR-BA) usou Tiririca, seu colega de bancada na Cmara, para tentar eleger o filho, Manuel Rocha, prefeito de Coribe, no oeste baiano. Em comcio na cidade, o palhao prometeu show em troca de votos no candidato. www.veja.com/radar

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
MENSALO
Os ministros que votarem pela absolvio dos rus do mensalo no devem participar da dosimetria das penas.  o lgico e o razovel. Afinal, que sentido faz arbitrar a pena quem acha que o ru no  culpado? www.veja.com/reinaldoazevedo

COLUNA
AUGUSTO NUNES
OPOSIO
O pas que tem o governo com que sonha qualquer oposio tem tambm a oposio com que todo governo sonha. www.veja.com/augustonunes

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
EUA
O papel-chave de Bill Clinton nesta campanha eleitoral ser seduzir o eleitorado branco de renda baixa e mais conservador. A parcela da populao que tradicionalmente votava nos democratas, mas desde os tempos de Ronald Reagan se bandeou para os republicanos. www.veja.com/denovayork

SOBRE PALAVRAS
BRAZUCA  BOLA FORA
Todos os dicionrios e o Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registram brasuca, com s. Afinal, a palavra no  derivada de Brasil, brasileiro? Essa  a base da argumentao dos que implicaram com o nome da bola que a Adidas lanar para a Copa do Mundo de 2014: Brazuca. Mas no  isso que me incomoda na palavra, e sim sua carga cultural idiota. Brazuca  um sinnimo tolo de brasileiro. O termo nasceu em Portugal com tom depreciativo (o sufixo uca, o mesmo de mixuruca, deixa isso claro), em contraponto ao nosso portuga. E, ao ser adotado por aqui, virou um clich patritico viscoso e carregado de autocomplacncia, primo da malemolncia, da ginga e da incrvel musicalidade dos mulatos inzoneiros que habitam este gigante adormecido.  por isso que Brazuca  bola fora  e Brasuca no seria melhor.
www.veja.com/sobrepalaras

VEJA MEUS LIVROS
LYGIA AINDA ESCREVE DIARIAMENTE 
Aos 89 anos, Lygla Fagundes Telles, que no lana um livro indito h cinco anos, diz que segue escrevendo diariamente. Faz suspense sobre um possvel livro novo e deixa escapar: Quem sabe um romance. Fonte prxima a ela, no entanto, acredita que no se ver uma obra indita da autora. A Companhia das Letras, que adquiriu o passe da escritora em 2008 e vem republicando toda a sua obra, diz que no h nenhum projeto em discusso. O ltimo lanamento de Lygia foi a reunio de contos Conspirao de Nuvens, pela Rocco, em 2007.
www.veja.com/meuslivros

QUANTO DRAMA!
QUANTO DRAMA!
Com o fim da novela Amor Eterno Amor, Mayana Neiva j est cotada para a trama que Maria Adelaide Amaral  com quem ela trabalhou em Queridos Amigos (2008) e Ti-ti-ti (2010)  escreve para o horrio das 7, Guerra dos Sexos. At l, a atriz ter agenda livre para se dedicar a um verdadeiro vcio: o julgamento do mensalo no Supremo Tribunal Federal. Simplesmente no consigo parar de ver. Quarta passada, eu perdi o captulo da novela para acompanhar a votao. Ela confessa que torce pela condenao aos baldes. O que est acontecendo  um episdio da histria do pas mais srio do que foi o impeachment do Collor. Uma absolvio seria rir da nossa civilidade.
www.veja.com/quantodrama

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  SNDROME DOS OVRIOS POLICSTICOS
Levar uma vida saudvel, com dieta balanceada e exerccios fsicos,  para combater essa doena essencial.

     Uma alimentao adequada, aliada  realizao de exerccios fsicos, tem papel preponderante na sade feminina. Alm de reduzir os riscos de doenas cardiovasculares, essas medidas tambm so essenciais no tratamento da sndrome dos ovrios policsticos, condio que atinge at 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.
     A sndrome, responsvel por 30% dos casos de infertilidade feminina,  caracterizada pela falta de ovulao e tambm pelo excesso de hormnios masculinos (principalmente a testosterona) no organismo. A doena tem como principal sintoma a ausncia ou irregularidade da menstruao, principal queixa que leva as pacientes ao consultrio mdico. Sem ovular, a mulher pode ter dificuldade para engravidar.
     Alm disso,  comum que elas apresentem excesso de pelos no corpo, alteraes na pele  como aumento da oleosidade, espinhas e cravos  e ovrios de volume aumentado por causa dos cistos na superfcie desse rgo.
     Outra caracterstica importante da doena  o aumento de peso, que pode ser tanto um sintoma quanto contribuir para a doena. As alteraes hormonais podem levar ao sobrepeso, que tambm pode estar relacionado  resistncia insulnica.
     O diagnstico da sndrome dos ovrios policsticos  feito por meio de anlise clnica e por exames de ultrassonografia e de sangue. O mdico poder solicitar tambm curva glicmica e de resistncia  insulina, para identificar uma possvel sndrome metablica.
     Vale, contudo, destacar que nem sempre a presena de um cisto no ovrio est relacionada  sndrome dos ovrios policsticos, podendo indicar um tumor ou endometriose, dentre outros problemas. Da mesma forma, uma mulher pode no ter cistos, mas apresentar os demais sintomas da doena e assim ser diagnosticada como portadora da sndrome.
     Exerccios fsicos e alimentao balanceada so dois valiosos aliados no tratamento da sndrome dos ovrios policsticos, principalmente quando ela est ligada ao excesso de peso e  sndrome metablica. Alm disso, no caso da mulher que no pensa em engravidar a mdio prazo, a plula anticoncepcional  a opo mais prescrita. J para aquela que est tentando ter filhos, pode ser indicado um remdio para estimular a ovulao. Para as que apresentam resistncia  insulina,  indicado o uso da metformina, que ajuda a corrigir distrbios metablicos.
     Porm, seja qual for a inteno, o acompanhamento mdico  essencial. Logo aps o diagnstico as consultas devem ser semestrais. Com o passar do tempo, elas podem passar a ser anuais.

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